quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Se algum dia, esmagada pelo tédio,
eu te pedir o Sol como remédio à minha inquietação,
sorri como se eu fosse uma criança,
e não digas que não.

Se algum dia, em noites de platina,
eu te pedir a Lua que ilumina do céu a nossa rua
e me deixa extasiada, boquiaberta,
as minhas mãos nas tuas mãos aperta
e promete-me a Lua!

E se ainda, perdido no horizonte,
o meu olhar partir de monte em monte e apetecer o mar,
tu que sabes, vês e podes tudo,
abrindo tuas asas de veludo,
finge que o vais buscar!


Virgínia Victorino

terça-feira, 12 de novembro de 2013



 

Um dia escrevo-lhe um texto.. daqueles que se escreve quando sentes que as palavras foram muitas vezes disparadas na direcção errada, e nem o vento ajudou a mudar a sua trajectória.
É sempre muito mais fácil falar das coisas quando elas já não existem.. é como falar bem de um morto, apenas consegues recordar as coisas boas.

Ele tem qualquer coisa de triste, mas não me assusta. Sei que por dentro de um coração frio há sempre cicatrizes de guerras passadas. E tudo o que eu queria era fazer o guerreiro descansar no meu peito porque ai de quem não acrescente doses generosas de ilusão na sua triste realidade.
Assim sem dar por mim estava eu numa luta com o fado. Mas não me preocupo pois sei que é nestas pequenas batalhas que nos tornamos mais fortes, que aprendemos a domar o coração selvagem que tende a ficar inquieto com a presença que a cabeça ignora..


Um dia tu percebes que tu também estás destruída, e que cansa correr atrás de quem sabe direitinho o caminho para chegar até ti.

Sim, definitivamente. 
Um dia destes tenho que lhe escrever um texto.

Catarina Fernandes